Domínio de outro idioma aumenta salário em até 51,89%

Trata da importâcia do conhecimento de idiomas para o sucesso profissional fundamentada em diferentes pesquisas de campo

Wagner Siqueira, 14 de abril de 2013

Estudo recém apresentado pela consultoria Catho mostra que o domínio de um idioma estrangeiro pode aumentar o salário em até 51,89%. A pesquisa analisou 2.444 cargos em 19 mil empresas de todo o Brasil, comparando diferentes níveis hierárquicos e graus de fluência na língua inglesa e espanhola.

Outra pesquisa, realizada pelo Sistema CFA/CRAs em novembro de 2011, revela que apenas 47,20% dos Administradores brasileiros dominam algum idioma. O levantamento ouviu 17.982 profissionais em todo o Brasil.

No estado do Rio de Janeiro 44,28% dos profissionais de administração pesquisados não dominam qualquer idioma estrangeiro. Situação preocupante, sobretudo quando consideramos a proximidade dos grandes eventos internacionais como a Jornada Mundial da Juventude, a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 que demandam significativo contingente de pessoal para as áreas da administração.

Dados alentadores surgem ao verificarmos, na pesquisa realizada no âmbito do CRA-RJ, que dentre os Administradores fluminenses formados nos anos de 2006 a 2011 essa fluência em línguas estrangeiras salta para 67,31%; contra 26,68% dos formados de 2000 a 2005 e 14,82% dos concluintes entre 1990 e 1999.

Não resta dúvida de que o investimento em cursos de línguas é uma ótima oportunidade para ampliar a empregabilidade e também para auferir ganhos salariais em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo. Aliás, muitas entrevistas de seleção começam o “papo” no idioma estrangeiro desejado pela empresa contratante.

Ah sim, uma última advertência, o português não pode ser deixado de lado! Os brasileiros também devem ser proficientes em sua língua materna.

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Conheça alimentos que combatem o estresse e que podem até reduzir o colesterol

Globo Repórter – Globo.com – Edição do dia 12/04/2013 – 12/04/2013 22h40 – Atualizado em 16/04/2013 21h52

A quinoa tem as qualidades do leite materno e reduz o colesterol. E a castanha, basta uma por dia para controlar o estresse.

6a00d8341c385353ef00e54f6037048833-640wiDo alto das montanhas. Das profundezas da Floresta Amazônica. Do coração da Mata Atlântica. Nunca as riquezas que vêm da terra foram tão valorizadas. São os superalimentos que dão força, vitalidade e combatem o envelhecimento.

Cientistas do mundo todo se voltam para a América Latina. É do Brasil e de alguns dos seus vizinhos que saem os alimentos mais completos para o ser humano. Alimentos que brotam no chão há milênios e que precisavam apenas ser redescobertos, como a quinoa.

Dona Rosa Oliveira descobriu a quinoa no ano passado. Desde então esse alimento nunca mais saiu da dieta. “Com 63 anos, você não ter nenhum pouco de colesterol, é ótimo não é? Então, eu acho que a quinoa lava as artérias”, diz a dona de casa.

Na casa de Dona Rosa, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, todos os dias é o mesmo ritual. Ela inclui flocos de quinoa nas vitaminas que faz para o café da manhã.

“Ah, eu nem sinto o sabor. Não sinto nenhuma diferença. Parece uma aveia normal”, comenta.

Mas para que a quinoa chegasse até a mesa de Dona Rosa não foi fácil. Há 30 anos, os grãos andinos eram praticamente desprezados.  Muitos quase desapareceram.

A redescoberta destes alimentos começou com Luis Sumar Kalinowski, um morador do Vale Sagrado dos Incas. O professor Luis hoje tem 75 anos e continua entusiasmado. Ele pergunta: “O que queremos para as nossas crianças? Que representem um futuro para as nações. Então, temos que lhes dar bom alimento”.

Disposto a estudar os cultivos andinos, o professor conseguiu convencer a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos a financiar um grande projeto.

Durante seis anos, ele saiu pelas montanhas em busca das plantas esquecidas.  “Um abandono total”, diz. O amaranto, um primo da quinoa, foi salvo por pouco. Foi salvo por ser bonito. Depois de procurar muito, encontrou.

“Em um jardim. Então, eu procurei jardins e mais jardins. Fui ao litoral, procurei em Cusco. Procurei muito e assim consegui resgatar”, conta o professor.

O amaranto, um superalimento ainda pouco conhecido, tinha virado uma planta ornamental.

Lado a lado, o amaranto e a quinoa. Esta era uma paisagem muito comum 500 anos atrás. Quando os conquistadores espanhóis chegaram, eles não só desprezaram estas plantas. Segundo os estudiosos, eles intencionalmente destruíram estes superalimentos, que davam a força aos guerreiros incas.

“Eles queriam dominar as populações conquistadas e uma maneira de dominá-las é proibindo que comam alimentos de qualidade. Pois quem come alimento de qualidade tem cabeça boa e se põe a pensar”, explica o professor.

O resultado do trabalho do professor foi um livro que jogou luz sobre as riquezas esquecidas. Dezenas de grãos, raízes, legumes e frutas estão listados nele.

Graças à semente que ele lançou lá atrás, este ano de 2013 foi escolhido o ano internacional da quinoa.

O interesse está em toda parte. Como na pesquisa que Dona Rosa, lá de Ribeirão, participou. Durante quatro semanas, mulheres que já passaram pela menopausa comeram 25 gramas de quinoa por dia. E não mudaram mais nada na alimentação.

A ideia era ver se a quinoa iria proteger o coração delas, justamente na idade em que as mulheres têm mais risco de doenças circulatórias. Para Flávia Giolo de Carvalho, a pesquisadora, não foi tão difícil convencê-las.

“O sabor não interfere tanto nos alimentos. Então, vai só agregar valor nutricional, vai melhorar a saúde da senhora, vai melhorar o perfil lipídico. Eu vendi o meu peixe assim, falando destes potenciais benéficos”, lembra a nutricionista.

No fim da pesquisa, feita pela USP e pela Unesp, as mulheres baixaram o colesterol entre 5% e 10% e aumentaram no organismo as substâncias que combatem o envelhecimento.

“Quando você vê quatro semanas, que 25 gramas deram resultados interessantes, acho que se extrapolar isso para mais tempo, acho que tem resultados melhores ainda. Pensando sempre em melhorar a qualidade de vida, através da inclusão de um alimento”, explica Flávia.

Dona Rosa entrou na pesquisa com o colesterol acima do normal. E agora está com os índices em dia e o coração inteiro para correr atrás da maior paixão: o netinho Jean Otávio, de um ano e meio.

“Trabalho muito, faço todo o serviço da casa e cuido do bebê. Estou aqui inteira. Chega a noite eu quero que o marido vá passear comigo ainda”, conta Dona Rosa.

Em Lima, capital do Peru, fomos encontrar a nutricionista Ritva Repo de Carrasco, uma finlandesa que há 25 anos estuda a quinoa.

Ela chama este alimento de “o grão mais completo do mundo”. Descobriu semelhanças da quinoa até com o leite materno.

“A quinoa tem uma proteína que pode ser comparada à do leite. Tem alto conteúdo de fibra, que combate o câncer. E tem ainda compostos que chamamos de bioativos, que protegem contra muitas doenças. Por isso eu diria que a quinoa é um superalimento”, garante a nutricionista.

A quinoa tem os dez aminoácidos essenciais para a vida humana, que o nosso corpo não é capaz de produzir. E em especial a lisina, fundamental na fase do crescimento.

No campo, o desafio é tornar a quinoa um alimento cada vez mais comum e mais barato. Para isso, dez grandes pesquisas estão sendo financiadas no Peru como parte do Ano Internacional da Quinoa.

O engenheiro agrônomo Mario Tapia percorre as montanhas do país recolhendo e testando novas variedades da planta. Se no passado os conquistadores renegaram o conhecimento tradicional, hoje os pesquisadores visitam os descendentes dos antigos donos destas terras para aprender com eles.

“Os agricultores não têm grandes extensões de terra, mas uma pequena área para o uso pessoal. Então, eles dão muito valor, porque complementa a batata, o milho, com as proteínas da quinoa. É um conhecimento tradicional de balancear a dieta”, explica o engenheiro.

No Brasil, em vez de subir a montanha, nós vamos entrar na floresta para procurar saúde. Na Amazônia, a natureza prepara e entrega o presente.

O superalimento que nós procuramos nasce no alto, na copa de árvores de até 50 metros. Mas não é preciso ir buscá-lo lá em cima. Com olhar treinado e facão ligeiro, os homens vão enchendo o cesto.

Mas antes de comer, é preciso vencer várias camadas de casca. Finalmente, está ela: a castanha do Brasil.

Quem colhe passa o dia na mata e não precisa levar comida de casa. “Só sei dizer que não dá fome durante a gente estar trabalhando. A gente come uma castanha de vez em quando, não dá fome”, conta Edison Coelho Teles, catador de castanha.

Sabedoria transmitida geração após geração. Onde a única avenida foi construída pela natureza e o sustento vem da castanha, uma sementinha que carrega a força de uma árvore gigante.

Em São Paulo, onde os gigantes são de pedra, a vida é bem diferente. Correria, agitação e um ritmo alucinante. Para vencer o estresse e os perigos que a cidade traz para a nossa saúde, é preciso contar com a ajuda de um pedacinho da floresta.

Luíza vive apressada. Em um dia daqueles, ela mal tem tempo de dar ‘bom dia’. Luíza comanda uma empresa de informática com 270 funcionários. Todos sabem que ela gosta de perfeição.

“Nós somos ligados, estamos em uma panela de pressão sempre”, comenta.

Nos momentos em que a pressão chega ao máximo, Luíza reage com um gesto quase automático. Ela estica o braço e pede ajuda para a castanha.

“Eu já sinto que eu começo a despertar, eu já começo pensar melhor, eu já começo a tomar decisões melhores. Claro que eu não coloco isso em função de uma castanha, mas ela contribui com o todo”, diz.

Há 20 anos ela tem esse costume. Contra o estresse, uma castanha por dia. “Também, como mulher. A pele fica melhor, o cabelo fica melhor. Enfim, isso ajuda como um todo”, afirma.

A ciência estuda esses e muitos outros benefícios da castanha. Ela protege o nosso organismo principalmente porque é rica em selênio.

“Você pode também garantir um melhor funcionamento do seu organismo durante a vida inteira. Isso contribuirá, com certeza, para uma melhor velhice, para o envelhecimento com mais saúde”, explica Silvia Franciscato Cozzolino, nutricionista – USP. 

Em São Paulo, na USP, a professora Silvia Cozzolino orienta uma série de pesquisas que comprovam os benefícios do selênio no combate a muitas doenças.

“Ele pode ter uma ação, por exemplo, no câncer. Pode ter uma ação em relação a doenças da glândula tireóide, pode ter ação na obesidade”, aponta a professora.

E a lista não para por aí. Outros estudos recomendam a castanha para combater a artrite, prevenir a diabetes, refrear a doença de Alzheimer.

Com o selênio, nosso cérebro funciona melhor por mais tempo. Seu Fernandes, de 81 anos, e Dona Santa, 84 anos, aceitaram ser voluntários de uma pesquisa da USP.

Durante seis meses, consumiram uma castanha por dia. Já que a dose diária é pequena, aproveita.

São Paulo é pequena para Dona Santa. Diariamente, ela anda pela maior cidade do país, como se estivesse no quintal de casa. “Melhor coisa da vida é você ser independente. Eu acho que isso é uma riqueza, dinheiro para mim não ia valer nada”, afirma Santa de Souza, modelista aposentada.

Dona Santa já faz planos para a festa de aniversário. De 85 anos? Não, de 100. “Vai ser em um clube, lá no Corinthians. Mudei de time. Será que foi a castanha? Não foi antes”, brinca.

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“Esperar sentir sede para beber água não é ideal”, diz especialista

22.03.13 – Saúde, R7 Notícias

No Dia Mundial da Água, médico dá dicas de como manter o corpo hidratado

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A água é o principal componente do nosso organismo, respondendo por 60% do peso corporal. Em bebês e crianças, essa porcentagem é ainda mais elevada, por isso a importância de sempre hidratar o corpo. No Dia Mundial da Água, celebrado hoje (22), o dr. Antonio Herbert Lancha Junior, professor-titular de Nutrição da USP (Universidade de São Paulo), cita os benefícios  do líquido.

— A importância da hidratação vai além da questão da pele, do sistema imune ou da quebra de gordura, interfere na capacidade de processamento de informação.

Saiba como tornar sua saúde melhor bebendo a água certa na quantidade ideal

O médico explica que a desidratação compromete a cognição, ou seja, o desempenho das atividades intelectuais do dia a dia, deixa o organismo mais vulnerável a infecções oportunistas, como gripes e resfriados, e prejudica o processo de emagrecimento.

— Sem água o organismo reduz sua capacidade de quebrar gordura. Além disso, a desidratação faz a pessoa perder peso em água e isso a deixa mais cansada.

Beber água facilita o emagrecimento

Como os tecidos do nosso corpo que contêm mais água são músculo, pele, vísceras e sangue, o Dr. Lancha avisa que todas as bebidas hidratam, inclusive as que contêm açúcar e/ou carboidrato.

— Quando consumimos um isotônico, por exemplo, estamos ingerindo água, sal e glicose. A água e o sal ajudam a manter a água no sangue e no espaço fora das células, enquanto a glicose é importante para manter o carboidrato dentro do músculo.

O médico acrescenta que é importante beber água o dia inteiro e não apenas quando se tem sede. Segundo ele, “a hidratação é muito mais do que simplesmente tomar um copo d’água, a reposição deve ser permanente”.

O Ministério da Saúde recomenda a ingestão de 2,5 litros de água ao dia. Se dividirmos essa quantidade por 12 horas, é recomendado beber um copo de líquido por hora (200 ml).

— Mas, quando o gasto calórico aumenta por algum motivo, prática de atividade física, por exemplo, é necessário compensar, caso contrário o corpo vai acusar essa baixa quantidade de água. Já em lugares com altas temperaturas, que a perda de água pelo suor é maior, a necessidade de ingestão de líquido também aumenta.

Mito ou verdade

Ao contrário do que se acredita, segundo o dr. Lancha, não é a falta de potássio a principal responsável pela cãibra, mas sim a falta de água e carboidrato no interior das células do tecido muscular.

— A água dentro da célula é essencial para a contração e o relaxamento do músculo. Sem água esses movimentos musculares ficam comprometidos.

O ambiente climatizado também resseca o corpo, por isso as pessoas que passam o dia em local com ar condicionado devem consumir bastante líquido.

— No estado de hipohidratação (pouco hidratado), a mucosa tem sua espessura diminuída e com isso ficamos mais vulneráveis a todos os tipos de infecção propagados pelo ar. Se alguma bactéria ou vírus conseguir atravessar a membrana, por causa da fragilidade da mucosa, são grandes as chances do indivíduo desenvolver uma doença.

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Grandes eventos criam vagas para profissionais com língua estrangeira. Confira oportunidades

Setor que mais deve empregar é o de serviços como, hotelaria, transporte e restaurantes

Do R7, com Hoje em Dia

O Brasil será a sede de diversos eventos internacionais como Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíadas. Para conseguir se dar bem nesta época, o trabalhador do setor de serviços terá que aprender a falar outras línguas, principalmente o inglês, para poder se comunicar com os clientes.

Para as novas vagas que estão abrindo no setor serviços, como hoteleiro, gastronômico e de vendas, terão vantagem o candidato que estiver melhor preparado, e com um curso de idiomas no currículo.

Segundo levantamento feito pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), no estado de São Paulo, 500 novas oportunidades de negócios serão gerados, impulsionados pelos eventos esportivos, o equivalente a metade todas as oportunidades brasileiras. 
Em alguns Estados-sede como o Recife, os taxistas estão fazendo cursos de inglês online. No Paraná, o programa “Taxista Nota Dez” deve treinar 400 motoristas, até maio de 2014, preparando-os para receber mais 160 mil turistas estrangeiros.

Na capital da Bahia, salvador, um programa de qualificação está ensinando os trabalhadores que lidam diretamente com os turistas a explicar, em inglês, os produtos que estão vendendo.

Mas há ainda quem confie no velho “jeitinho brasileiro” para conseguir fazer negócio e lucrar com os gringos.

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Lygia Fagundes Telles, testemunha literária

A escritora relembra momentos marcantes de sua trajetória, como a amizade com Clarice Lispector e Hilda Hilst, a viagem à China em 1960, o encontro com Montero Lobato e a agonizante espera pela liberação de ‘As meninas’ pela censura

13 de abril de 2013 | 2h 18
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Para João Ubaldo Ribeiro, é a grande dama da literatura brasileira. Milton Hatoum destaca a magnitude e a perenidade dos contos de Antes do Baile Verde e Seminário dos Ratos, livros publicados nos anos 1970. Já Ignácio de Loyola Brandão garante não “existir, na literatura brasileira, uma pessoa mais adorável”. Próxima dos 90 anos (completa na sexta-feira, dia 19), a escritora Lygia Fagundes Telles é praticamente uma unanimidade. Autora de uma obra de estilo elegante, ecos machadianos e um permanente estado de espírito que permite manipular a escrita com firmeza e serenidade, Lygia sempre oferece ao leitor a oportunidade de pensar sobre suas existências.

Basta conferir sua obra, reeditada com esmero pela Companhia das Letras desde 2009. Muitos livros se tornaram clássicos, como o romance As Meninas, de 1973, “livro até hoje muito lido nas escolas, pois reflete o impasse de jovens que viveram numa época obscura”, observa Milton Hatoum. “O destino das personagens é, de algum modo, o destino de uma geração movida por sonhos de liberdade sexual e política, ou por um desejo de ascensão social. É um romance que opera com o equilíbrio entre o psicológico, o social e o político. Sem dúvida, um dos melhores livros da autora.”

De fato, a literatura sempre foi, para Lygia Fagundes Telles, um caminho para mudar o mundo. Pelas letras, ela transmite aos leitores a aventura de novos conhecimentos – seja pelos detalhes do cotidiano, pelo devaneio particular ou mesmo pela vida da imaginação. “É uma escritora que se dedica aos temas universais: a loucura, o amor, a paixão, o medo, a morte”, observa o crítico José Castello, autor do posfácio da nova edição de Seminário dos Ratos.

Mesmo assim, é uma mulher ligada ao cotidiano. Em seu apartamento, em São Paulo, vive rodeada de boas lembranças: fotos dos dois maridos (Goffredo da Silva Telles e Paulo Emílio Salles Gomes), do filho querido Goffredinho, de amigos e de viagens inesquecíveis. Nos últimos meses, Lygia recebeu o Sabático para reavivar lembranças, escrevendo ou falando, como as que vêm a seguir.

Clarice Lispector

Era uma grande amiga, além de excepcional escritora. Sempre me dizia: “Liginha, não sorria nas fotos. Ninguém leva a sério mulher que aparece sorrindo na fotografia!”. Também era ótima companhia em viagens. Certa vez, em Cali, na Colômbia, abandonamos os debates para ficar no bar, bebendo champanhe (ela) e vinho tinto, enquanto ríamos gostosamente e ela pedia a minha opinião sobre quem era mais indiscreto nas suas traições, o homem ou a mulher. Aliás, na viagem de ida, quando o avião balançava muito e eu estava preocupada, Clarice se voltou para mim e disse: “Não tenha medo porque o avião não vai cair. Minha cartomante disse que eu morreria deitada, portanto, fique tranquila”. Esse misticismo era contagiante. Certa noite, quando eu dormia em um hotel da cidade de Marília, onde participava de um seminário, fui acordada por uma andorinha desgarrada, que entrou voando no meu quarto. Levei um susto, mas logo estranhei a forma como o animal me encarava, muito amigável. Logo, consegui que o pássaro saísse pela janela. No dia seguinte, fui informada que Clarice morrera naquela noite. Só consegui dizer, baixinho: “Eu já sabia”.

Ato da escrita

Para escrever, você precisa se dedicar de corpo e alma a seu personagem, a seu enredo e à sua ideia. É preciso que seja um ato de amor, uma doação absoluta, e é impossível sair do transe enquanto não dá a história por acabada, enquanto não decifra o humano. O detalhe é que o ser humano é indefinível. Por mais que tente, você não consegue defini-lo totalmente. O ser humano é inalcançável, inacessível e incontrolável, ele está sujeito a esses três ‘Is’.

Mao Tsé-tung

Era um homem atarracado, com os olhos muito puxados e uma expressão quase imutável. Em nossa visita à China (éramos vários escritores), nos presenteou com um livro de poemas, escrito por ele mesmo, em francês e chinês. Os versos até que eram bons.

Monteiro Lobato

No longo corredor que me pareceu sombrio, o carcereiro avisou que a visita teria que ser breve, mesmo porque já tinha um visitante lá dentro. Entrei na saleta fria. Uma mesa tosca, algumas cadeiras de palhinha. Em torno da mesa, Monteiro Lobato de sobretudo preto, um longo cachecol de tricô enrolado no pescoço. Sentado ao lado, o visitante de terno e gravata, calvo, os olhos azuis. Monteiro Lobato levantou-se abotoando o sobretudo e veio ao meu encontro com um largo sorriso. Era mais franzino e mais baixo do que eu imaginava. Tinha os cabelos grisalhos bem penteados e o tom da pele era de uma palidez meio esverdeada, mas os olhos brilhavam joviais sob as grossas sobrancelhas negras. Ofereceu-me a cadeira que estava entre ambos. “Este aqui é um caro editor”, apresentou-o e disse o nome do editor que não guardei. Sem saber o que dizer, fui logo enumerando os seus livros que já tinha lido e que ocupavam uma prateleira da minha estante, “ah! as paixões da minha adolescência”: Narizinho Arrebitado, Tia Nastácia, o Jeca Tatu, as memórias daquela boneca de pano, a Emília, o Saci-pererê…

Ele me interrompeu com um gesto afetuoso, eu sabia que era avesso às homenagens e assim entendi a razão pela qual desviou a conversa, afinal seus personagens não eram culpados pela sua prisão, mas sim as cartas que andou escrevendo, ou melhor, as denúncias que andou fazendo através dessas cartas porque livros os governantes não liam mesmo. Deviam ler, mas não liam e daí a ideia das cartas curtas e diretas. “Estou aqui no meio de bandidos, tinha que me calar ao invés de avisar que o petróleo é nosso. A mocinha já entendeu, hein? Sei que é estudante, mas o que está estudando?” Quando contei que estava na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, ele abriu os braços num gesto radiante: “Pois foi lá que eu me formei!”. Só que na nossa turma não tinha meninas, só marmanjos. “Ah! Se tivesse aqui um vinho a gente poderia brindar estes doutores! Quer dizer que a mocinha vai advogar?” Comecei gaguejando, bem, era difícil explicar, eu era uma estudante pobre, queria me formar para ter um diploma e assim anunciar um bom emprego. Na realidade queria ser escritora, escrever contos, romances…

Monteiro Lobato voltou-se para o editor e tocou-lhe no ombro. “Olha aí, a mocinha é vidente! Já está sabendo que escrever neste país não dá dinheiro, escritor morre pobre e ignorado. Então ela é uma vidente!”, disse e tirou do bolso do sobretudo um pequeno bloco e uma caneta. “Vamos, deixe o seu nome e endereço, o meu amigo aqui vai lhe enviar algumas reedições dos meus livros, vamos, diga logo antes que o carcereiro apareça.”

Faculdade de Direito

Decidi ser advogada por causa do meu pai, Durval, que também se formou na São Francisco. Era um homem lindo, adorável, mas que tinha um grande pecado: era um jogador contumaz. Adorava roleta. Ele me levava a um cassino em Santos e, enquanto eu, pequena, tomava uma enorme taça de sorvete, meu pai jogava as fichas e as perdia, uma a uma. Quando íamos embora, derrotados, ele sempre dizia: “Hoje perdemos, mas amanhã a gente ganha”. Eu o admirava muito. Mas não foi fácil estudar na São Francisco. Na minha turma, éramos apenas seis mulheres entre mais de cem homens. Todas virgens! Certa vez, um dos meus colegas me perguntou: ‘O que vocês, mulheres, querem aqui na faculdade? Casar?’ Respondi, de bate-pronto: ‘Também!’ Mal sabia ele que me casaria com um dos professores (Goffredo da Silva Telles).

Hilda Hilst

Verão de 1952. Eu já estava casada com Goffredo quando a Hilda foi nos visitar no Rio. Ficou hospedada no Hotel Olinda, em Copacabana. Ela usava um maiô claro de tecido acetinado, inteiriço, na moda, os discretos maiôs inteiriços. Lembro que tinha no pescoço um longo colar de conchinhas. Falou-me dos novos planos, tantos. Estava amando e escrevendo muito, quando ela se apaixonava a gente já sabia que logo viria um novo livro celebrando o amor. Nesse sábado, tínhamos marcado no nosso apartamento um encontro com alguns amigos, Carlos Drummond de Andrade, Cyro dos Anjos, Breno Accioly, José Condé… Hilda Hilst chegou toda de preto, os cabelos dourados soltos até os ombros. Falou em Santa Teresa d’Ávila, a do “amor duro e inflexível como o inferno”. Pedi-lhe que dissesse o seu poema mais recente. Então, eu me lembro, Cyro dos Anjos cumprimentou-a com entusiasmo e começou a examinar a pequena palma da mão que ela lhe estendeu, ele sabia ler o destino nas linhas da mão.

Livraria Jaraguá

Segunda Guerra Mundial, ano de 1944. Eu era uma mocinha de boina, morava com a minha mãe num apartamento na Rua Sete de Abril e duas vezes por dia passava pela Rua Marconi, quando ia para as aulas na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. E quando retornava no final da tarde, emendava a manhã com o meu expediente de trabalho na Secretaria da Agricultura, onde colava retratos, era uma estudante pobre.

Nessa Rua Marconi ficava a bela Livraria Jaraguá, de Alfredo Mesquita, e onde se reuniam as mais importantes personalidades da tranquila cidade de São Paulo, comoção da minha vida! – no desabafo ardente de Mário de Andrade. Esse mesmo Mário de Andrade que foi um dos primeiros frequentadores da livraria nos encontros no fim da tarde, ele o Oswald de Andrade. A esses intelectuais mais velhos (Sérgio Milliet, Lívio Xavier, Sérgio Buarque de Hollanda) foi se juntando um grupo de jovens, os fundadores com Alfredo Mesquita da revista Clima: Antonio Candido, Lourival Gomes Machado, Paulo Emilio Salles Gomes, Décio de Almeida Prado e Ruy Coelho, ah, tanta gente e tantos projetos. Tantos planos. Era a elite intelectual da Faculdade de Filosofia, os jovens herdeiros da Semana de 22 e aos quais Oswald de Andrade apelidou de chato-boys: “Com oito anos eles começaram a ler Marcel Proust e com dez já discutiam Spengler, ai! não aguento tamanha precocidade!”, disparava Oswald de Andrade e Alfredo Mesquita dava aquela risadinha cascateante.

Paulo Emílio Salles Gomes

Meu segundo marido era um homem encantador, inteligente, vibrante, irônico. Ele me apelidou de Cuco, brincadeira com o relógio de uma velha tia cujo cuco sempre cantava as horas com atraso – eu sempre me atrasava para nossos compromissos. Também apelidou meu filho Goffredinho de Cré, pois, nas aulas de francês, quando o garoto errava feio, Paulo disparava: ‘Crétain!” (cretino). Paulo sempre foi um grande incentivador da minha obra, especialmente nos momentos mais difíceis. Como em 1973, quando publiquei As Meninas. Era época pesada da ditadura militar e eu me inspirei, entre outras coisas, num panfleto que detalhava a violência física sofrida por um preso político. Coloquei isso no meio da trama e fiquei apreensiva quando o livro foi enviado para a censura. Enquanto aguardava, nervosa, o veredicto, fui surpreendida pela chegada, alegre, de Paulo, em nosso apartamento. Ele trazia uma garrafa de vinho e estava muito disposto a comemorar. Logo explicou: aborrecido com uma história em que não acontecia nada, o censor só lera algumas páginas, não chegara àquele ponto da tortura e liberava a obra.

Dom Casmurro

Eu estava na Faculdade de Direito quando li pela primeira vez Dom Casmurro, uma edição que comprei em um sebo. Achei, então, que Capitu era uma santa, uma pobrezinha; e ele, Bentinho, um neurótico, um doido varrido, histérico. Conversei com as minhas colegas, éramos seis mulheres, sobre a leitura, e eu dizia: “Não pode isso, esse homem é um louco, neurastênico, desesperado, casado com uma santa em que via a traição.” Enfim, não li mais o livro. A segunda leitura foi na maturidade. Estava casada com o Paulo Emílio e preparávamos Capitu (roteiro filmado por Paulo César Saraceni e lançado pela Cosac Naify). Reli o livro e disse ao Paulo: “Mudei completamente de ideia, a mulher traiu ele, sim, o filho não era dele”. E ele me perguntou: “Você tem certeza? Cuco, você não pode ser juiz, temos que suspender o juízo, como o próprio Machado queria.” E eu: “Mas eu não posso suspender, esse homem é um doido, coitada dessa mulher”. “Cuco, não vista a toga de juiz. Vamos apresentar o roteiro como está no livro. Você está ficando com a cara do Bentinho!” “E você então está me traindo!” Capitu traiu Bentinho? Eu já não sei mais. Minha última versão é essa, não sei. Acho que, enfim, suspendi o juízo. No começo, ela era uma santa; na segunda, um monstro. Agora, na velhice, eu não sei.

Vírus brasileiro modifica boletos bancários e desvia pagamentos

por: Felipe Brandão – 15.04.13 – Site Infológico

site Linha Defensiva  alertou hoje sobre um malware que altera qualquer página de boleto contendo uma linha digitável e a palavra “boleto”. Este é um comportamento nunca visto antes aqui no Brasil e requer bastante atenção do usuário. Entenda como funciona e saiba como se proteger.

Como funciona

O vírus inicialmente busca pela presença de softwares de segurança dos bancos e tenta removê-los do PC. Além disso, desabilita o firewall do Windows e faz uma auto cópia para se iniciar com o computador. Além disso, o vírus também tem a capacidade de capturar senha de Facebook e Hotmail, para que possam disseminar outras pragas futuramente.

Ao carregar o boleto, o malware altera a linha digitável para que o pagamento caia na conta dos golpistas. O código de barra é corrompido, recebendo espaços em branco para que não possa ser lido por leitores ou aplicativos, forçando a digitação.

Outros dados do boleto não são alterados, a data de vencimento e banco permanecem da mesma forma.

Como detectar o malware

Para detectar o golpe, você deverá identificar algumas características:

  • Os números da linha digitável são sempre parecidos em boletos diferentes
  • O código de barras terá buracos em branco, e não podem ser lidos
  • O banco destino nem sempre será o mesmo mostrado no boleto, já que o vírus não altera a logo do banco no mesmo.

Diante dessas informações, já dá para ficar com um pé atrás caso algum desses sintomas aconteça com o seu boleto.

Segundo o Virus Total, o malware tem uma boa taxa de detecção entre os antivírus.

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Anvisa aprova redução de iodo a ser adicionado ao sal

LÍGIA FORMENTI – Agência Estado – 16.04.13

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta terça-feira, 16, por unanimidade, a redução da quantidade de iodo que deve ser adicionada ao sal. A medida, discutida desde 2011, foi adotada em razão da mudança de hábito alimentar do brasileiro que, ao longo dos últimos anos, passou a consumir maior quantidade do tempero e, por tabela, também de iodo.

Pesquisa feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostra que o brasileiro é um dos maiores consumidores mundiais de iodo. “Em excesso, ele pode provocar problemas para a saúde”, afirmou o diretor da Anvisa, José Agenor Álvares da Silva. Entre os problemas relacionados ao excesso de iodo estão a tireoidite de Hashimoto, doença autoimune que leva o organismo a atacar a tireoide. O paciente com o problema apresenta cansaço, sonolência e aumento de peso.

A proposta aprovada reduz a faixa de adição para 15 a 45 miligramas de iodo para cada quilo de sal. A relação até agora aplicada é de 20 miligramas a 60 miligramas por quilo. Com isso, o País passa a se ajustar aos parâmetros da OMS.

Pela estimativa do governo, o brasileiro consome, em média, 8,2 gramas de sal diariamente. A OMS recomenda que, para esse padrão de consumo, a faixa de iodação fique entre 20 a 40 miligramas para cada quilo de sal. A resolução passa a valer 90 dias depois da sua publicação no Diário Oficial da União. 

Fonte