Não seja um falso moralista!

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Não seja um falso moralista!

Não adianta participar de passeatas nas próximas semanas, exigir honestidade dos nossos políticos se não praticarmos isso no dia a dia. Chega do “jeitinho brasileiro”, chega dessa história de que “todo mundo faz, então também vou fazer”.

Não aceite nem ofereça propina, chega de fazer carteira de estudante falsa, chega de fazer gato de TV a cabo, de apresentar ou fornecer atestado médico falso. Chega de comprar CD ou DVD pirata, de reduzir a quilometragem do carro usado antes de vender, de pagar alguém para fazer seus trabalhos da faculdade. Não pense que aquele seu amigo que conseguiu um cargo comissionado e recebe sem trabalhar é esperto, ele é um safado que está roubando nosso dinheiro… Existem vários exemplos…

Se queremos mudar o país, também temos que mudar.

César Alcon Ribeiro, 19 de Junho de 2013.

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10 dicas para aprender a costurar

10 dicas para aprender a costurar

Quem está iniciando no maravilhoso mundo da costura, pode se sentir um pouco deslocado no princípio, afinal, são tantas e pequenas coisinhas que não podem ser esquecidas!

Mas, a partir do momento que se superam as dificuldades iniciais, a prática da costura se torna uma atividade muito prazerosa, e porque não dizer, até mesmo rentável; uma boa costureira sempre tem trabalho, seja costurando ou reformando roupas para outras pessoas.

Assim, no intuito de ajudar e encorajar você que está começando a se aventurar nessa maravilhosa atividade que é a costura, enumeramos 10 dicas bastante úteis para você ir se orientando e se aperfeiçoando. Confira abaixo!

1. Compre uma boa tesoura para costurar
A dica parece um tanto óbvia, mas muita gente não se dá conta que uma boa tesoura para costuras será uma companheira pelo resto da vida. Tesoura específica para tecido, e usada única e exclusivamente para esse fim; caso você tente cortar outros materiais com a tesoura de tecido, pode estragá-la ou inutilizá-la.

2. Separe tudo que irá utilizar
Você, cheia de boa vontade, resolve começar a costurar, e, no meio da costura, acaba a linha. Mas onde você guardou a linha extra? Ou você precisa ir comprar outro carretel? Costurou onde não devia, precisa de um desmanchador de costuras, e onde está ele mesmo? Com essas paradas constantes e atrapalhamentos, não há entusiasmo que resista.

3. Tenha um lugar apenas para guardar seus materiais
Esse item é relacionado ao anterior. Você quer separar tudo que irá utilizar em uma costura, mas a tesoura está na gaveta da cozinha; as linhas, na estante da sala; as agulhas, em uma caixinha do quarto… Para tudo na vida é bom ser organizado, mas em costura é praticamente fundamental. Poupa tempo e paciência.

4. Molhe o tecido
Muitos tecidos têm a tendência de encolher depois da primeira lavagem. Se você não molhar o tecido antecipadamente, corre o risco de produzir uma peça que não servirá mais após ser lavada. Após molhar o tecido, espere ele secar antes de utilizá-lo.

5. Siga o molde
Uma boa costura começa com um bom corte: não é à toa que se diz “corte e costura”. Um tecido mal cortado, além de ser um desperdício de material, mesmo se costurado, não terá bom acabamento ou bom caimento, sendo um produto de má qualidade. Procure cortar o pano com calma, observando as instruções do molde e cortando exatamente onde é pedido.

6. Alinhavar é preciso
Deixe a preguiça de lado e alinhave sempre suas peças antes de costurá-las na máquina. Além de ajudar a segurar o tecido no lugar na hora da costura definitiva, o alinhavo prévio serve para observar o caimento da peça no corpo e, se necessário, efetuar ajustes.

7. Passando a peça
O ato de passar a peça durante a costura, embora não pareça, faz muita diferença no acabamento final, deixando seu trabalho com um ar mais profissional, as costuras mais ajustadas e os vincos mais definidos. Ao passar tecidos delicados, proteja-os com outro tecido por cima destes. Cuidado ao passar a área da costura, pois algumas linhas, principalmente se não forem de boa qualidade, podem derreter ou desfazer-se.

8. Alfinetando
Algumas partes da costura, por serem trechos curtos, ou por outros motivos, não necessitam ser alinhavados; porém, nesses casos, convém utilizar alfinetes para dar maior firmeza e segurança durante a costura. Na dúvida, sempre siga as instruções do molde.

9. Acabamento
Dizem que a principal diferença entre um bom e um mau costureiro, ou costureira, é o acabamento das peças. Retirar os excessos de linha, passar as peças cuidadosamente, não deixar pedaços de alinhavos, tudo isso são práticas essenciais à boa costura.

10. Paciência
Não é segredo algum que o gênio consiste em 10% de inspiração e 90% de transpiração (Albert Einstein); com a costura é assim também! Até mesmo as costureiras mais experientes se equivocam em seus projetos. Quando você estiver costurando, o desmanchador de costuras será um de seus melhores amigos. Não tenha medo: se notar algo errado ou fora do projetado, respire fundo, descosture, e costure novamente.

Seguindo essas dicas, com calma, paciência e capricho, em breve você será um ótimo costureiro, ou costureira!

Submetido em Lar por  em 16 junho 2013

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Mini documentário explica a revolução sem nome que pode mudar o Brasil

Nos últimos dias, o Brasil e o mundo tem assistido surpreso a uma revolução que tem tomado as ruas do país. Se o estopim foi o aumento de 0,20 centavos no transporte coletivo da capital paulista , logo percebeu-se que o povo que foi as ruas não queria somente uma diminuição nos preços das passagens. O fato é que a repressão vinda do governo e dos policiais militares não doeu somente nas vítimas de balas de borracha ou dos cassetetes – vendo o povo sendo mais uma vez privado cruelmente de seus direitos, as pessoas decidiram sair às ruas pra manifestar o descontentamento com o sistema.

Em muitas cidades, inclusive na precursora dos movimentos, a capital paulista, o governo voltou atrás e diminuiu as tarifas. Diante disso, o povo deixou claro que quer muito mais. Formou-se assim, uma revolução ainda sem nome, rótulo ou qualquer classificação definitiva. São jovens indo à rua de forma pacífica e horizontal num ato político que reivindica, entre outras coisas, uma nova ordem, uma nova forma de representatividade neste país.

Ninguém sabe muito bem quais serão os próximos passos. Toda teoria é apenas uma teoria. No entanto, dentre os vários materiais que têm surgido na tentativa de explicar esse momento histórico que vivemos, esse mini-documentário, criado pelo projeto Imagina na Copa e chamado de “A revolução ainda sem nome” foi o mais lúcido que assistimos. Além da opinião das pessoas nas ruas, ele traz uma análise de Denis Russo Burgierman, diretor de redação das revistasSuperinteressante e Vida Simples. Se você é brasileiro, dificilmente vai passar ileso por ele sem arrepiar alguns pelos do corpo.

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O que todo pai de um músico deve saber

O que todo pai de um músico deve saber

Muitas crianças têm aulas de música nos dias de hoje, e não é de admirar. Aulas de música fornecem dezenas de benefícios comprovados. Um estudo de 10 anos na Universidade da Califórnia indica que os alunos que estudam música alcançam pontuações mais altas, apesar das diferenças de sua situação econômica. Alunos do ensino secundário que participaram na banda ou orquestra relataram as menores taxas de abuso de substâncias. Além disso, aqui está uma boa notícia: Departamentos admitem ver a participação na música como um fator importante na tomada de decisões em relação à admissão.

Isso é apenas o começo. As aulas de música ensinam que o trabalho duro traz recompensas. Aprender a fazer algo bem é a chave para uma autoestima saudável. A capacidade de buscar a excelência em uma habilidade, ao invés de se contentar com o mínimo, irá beneficiar uma pessoa de muitas maneiras. Desenvolver o amor pela música empresta requinte à vida e vai melhorar e aprofundar a experiência de vida para toda a existência de uma pessoa.

A pesquisa também mostra que crianças que estudam música se saem melhor em matemática. Enquanto os dois tópicos podem parecer muito diferentes, o estudo da música aparece para ordenar a mente, ajudar na concentração e compreender conceitos complexos. Apenas ouvir música clássica já fornece alguns desses benefícios.

A fim de proporcionar isso, os pais estão inscrevendo seus filhos nas aulas de música em massa. Além de pagar a taxa de matrícula, o que mais os pais podem fazer para obter o máximo de aulas de música? Aqui estão algumas coisas que todos os pais devem saber:

Saiba quando começar. Embora as crianças possam começar a ter aulas de música em uma idade extraordinariamente jovem, a atenção de cada criança é diferente. Espere para começar as lições de músicas quando a criança puder se concentrar em uma única tarefa por pelo menos quinze minutos. Tenha em mente que as crianças podem facilmente realizar tarefas quando divididas em segmentos, começando com 15 minutos e aumentando gradativamente.

Seja encorajador. Ajude seu filho a entender que, enquanto eles estão geralmente animados para começar, em breve a novidade vai se desgastando e se tornará um trabalho. Isso não é uma coisa ruim! Ajude-os a perceber que qualquer habilidade significativa exige dedicação e esforço, quer se trate de basquete, balé, ou piano.

Tenha expectativas claras. As crianças devem saber que se inscrever para aulas de música exige um compromisso com a prática. Comprometa-se a pagar as mensalidades e, em troca, eles se comprometem a praticar. Mesmo as sessões curtas são eficazes e consistentes. Sessões de treino curtos são melhores para as crianças.

Ajude o seu filho a perceber que nem tudo que vale a pena é emocionante a cada momento. Todas as coisas exigem esforço, haverá momentos em que irá parecer difícil, chato, ou não tão divertido quanto sair com os amigos. Se perseverar, a sua proficiência no instrumento vai aumentar até o ponto onde a criação de música tornar-se-á uma alegria em sua vida.

Pergunte a qualquer professor de música e eles vão dizer que um número incontável de pessoas abandonam as aulas nos momentos difíceis, antes deles chegarem ao ponto em que tocar se torna mais agradável. Aí costumam se arrepender. Sabendo que a parte difícil está para vir, você pode se preparar melhor para ajudá-lo. Aqui estão algumas ideias:

Tenha músicas “divertidas” disponíveis para as crianças brincarem enquanto a prática regular é feita.
Deixe as crianças manterem o controle de seu próprio tempo praticando com um cronômetro e calendário. Menos irritante = pais mais felizes = crianças mais felizes.
Forneça uma porção de encorajamento e elogios. Talvez possa haver um tratamento especial quando uma meta é praticada completamente, ou certo nível é alcançado. Fale sobre o quanto eles melhoraram em comparação ao tempo em que eles começaram. Vendo e comentando o progresso sempre ajuda a motivação.
Seja o maior fã de seus filhos quando eles realizarem uma apresentação por mais simples que seja.
Todo esse trabalho árduo, tanto da parte dos pais quanto da parte da criança, pode resultar em uma vida de prazer.

Traduzido e adaptado por Jaguaraci N. Santos do original What every musician’s parent should know, de Margot Hovley.

Submetido em Atividades para Crianças por  em 19 junho 2013

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Meu filho tem autismo, e agora? – Susan Larson Kidd

O lançamento da M.books mostra como implementar várias rotinas e fundamentos de sono, alimentação e higiene em apoio à criança autista. Um livro prático que será uma leitura essencial e capacitadora para cada pai ou mãe cujo Filho recebeu o diagnóstico de Autismo recentemente ou para aqueles que ainda tentam descobrir por onde começar, para ajudar seus filhos. A autora relata que ao saber do diagnóstico, os pais buscam ajuda e suporte para que tenham força para cuidar de seus filhos pois a maioria se sente aterrorizada e toda a vida da criança passa na frente de seus olhos. Este livro conciso e realista permitirá que os pais retomem o controle da situação e dêem os primeiros passos práticos para uma vida calma e feliz com seu Filho recém-diagnosticado.

SOBRE A AUTORA: Susan Larson Kidd é consultora educacional e comportamental, com mais de 25 anos de experiência em educação especial. Sua filosofia e prática baseiam-se na convicção de que todas as crianças podem aprender – é nossa tarefa descobrir como elas aprendem. Suas áreas de especialização incluem distúrbios do espectro autista (TEA) e distúrbio de hiperatividade/déficit de atenção entre outros. Ela reside em Duluth, no estado de Minnesota, Estados Unidos.


FICHA TÉCNICA

TÍTULO:  Meu filho tem autismo, e agora?
AUTOR:  Susan Larson Kidd
PÁGINAS:  128
FORMATO:  16×23 cm
ISBN:  9788576802136
EAN:  9788576802136
ORIGEM:  Nacional
CATÁLOGO:   Série Pais e Filhos_Psicologia

15 de Maio – Dia Internacional da Família

Em 1993, a Assembléia Geral das Nações Unidas proclamou o dia 15 de Maio como Dia Internacional da Família. Desde esse ano que a ONU tem celebrado este dia chamando a atenção para determinadas questões que influenciam o dia-a-dia da Família, como forma de reconhecer o papel nuclear da família na sociedade e de impulsionar a adoção de medidas no plano nacional e internacional para melhorar a condição da família.

O ano 1994 foi proclamado, pelas Nações Unidas, o Ano Internacional da Família. O seu tema foi: “Família, Capacidades e Responsabilidades num Mundo em transformação”, declarando a família como “a pequena democracia no coração da sociedade”.

“É na família que o homem se realiza como filho, esposo e pai”. É o que disse o papa Bento XVI ao receber, no Vaticano, os participantes de um encontro promovido pelo Instituto João Paulo II de estudos sobre o matrimônio e a família (13/05/2011). O Instituto foi fundado pelo Papa João Paulo II exatamente trinta anos atrás, junto com o Pontifício Conselho para a Família. Hoje, está presente em todos os continentes, engajado no estudo, pesquisa e difusão das catequeses sobre o amor humano.

O Dia Internacional da Família é comemorado em diversos lugares no mundo. Por exemplo, nste ano em Portugal várias entidades celebraram a data, com atividades lúdicas, espectáculos e iniciativas de cariz social, de Norte a Sul do país, destacando a importância das famílias na sociedade.

A Família é importante para nossa saúde física e mental. Estudo publicado no Jornal da Associação Americana do Coração mostra que pacientes da terceira idade se recuperam muito mais rápido de derrame quando acompanhados dos parentes.

O filme A Filha do Pai – romantismo e generosidade, num coração sem blindagens

La fille du puisatier  (2011) Diretor: Daniel Auteuil. Atores :Daniel AuteuilAstrid Bergès-FrisbeyNicolas Duvauchellen, Kad MeradSabine AzémaJean-Pierre DarroussinEmilie Cazenave. 107 min.

     Um filme encantador. O único senão é o título, ou melhor, a lamentável tradução do original. A filha do pai é, na verdade, filha de um poceiro, termo que consta no dicionário da língua portuguesa, onde se lê: cavador de poços ou poças. Esse é o ofício de Pascal Amoretti, um viúvo que sustenta a prole de seis filhas, com dignidade e competência. Não sei qual seja o apelo de marketing, se é que tem algum, da tradução desbotada do título do filme, que se não o destrói, pelo menos cria indiferença. Todas as filhas tem um pai, mesmo em tempos de produção independente. Não saber quem é o pai, ou a que se dedica, pode acarretar crises de identidade futura; no caso que nos ocupa, produz desconcerto no espectador que não faz a menor ideia do que vai lhe ser servido nos fotogramas.

A Filha do Poceiro é uma historia singela, situada no belíssimo cenário da Provence francesa, às portas da segunda guerra mundial. Uma região querida e narrada pelo autor da história, Marcel Pagnol, da academia francesa que, em 1940, filmou a primeira versão do poceiro Amoretti e dos amores das suas filhas. A atual, dirigida e interpretada por Daniel Auteuil, grande expoente do cinema francês, respeita a história de Pagnol, a embrulha em cores vivas, com muito sol, muita luz, e o verde dos campos contrastando com o barro que impregna a roupa do poceiro no seu afazer quotidiano. O filme é uma delicada aquarela, sobre a qual se destaca nitidamente o perfil de cada personagem. Tem o aroma dos Souvenirs d’enfance de Pagnol, aqueles que aparecem na Gloria do meu Pai, e no Castelo da minha mãe. Pagnol também perdeu a mãe na infância e, já escritor consagrado, deixou claro o interesse que tinha pelos caracteres das personagens: “se eu tivesse sido pintor, somente teria pintado retratos”.

 

     Pascal enfrenta o desafio de educar seis filhas –todas lindas- sem a presença da mãe. Faz-se querer, é respeitado, mas sente falta da colaboração feminina e supre como pode apelando para as filhas mais velhas. Um trabalhador que coloca roupa de domingo, terno e gravata, quando tem de frequentar a modesta sociedade da aldeia em que todos se conhecem. Patrícia, a filha primogênita, é o seu apoio; se converterá na protagonista da historia por motivos que se adivinham nos primeiros compassos da fita. Felipe, o ajudante de Pascal e aprendiz de poceiro, é outra variante da equação que, naturalmente, inclui o galã Jacques Mazel e a sua família, gente de boa posição, dona do empório da cidade. Tudo muito simples, muito previsível, uma história “como as de antigamente”, onde circulam as virtudes –honra sinceridade, doação generosa- e as misérias humanas, também em espectro variado.

Vi o filme por minha conta –penso que para treinar o ouvido no francês, um propósito sempre formulado, e poucas vezes cumprido- e gostei demais. Um bom sabor de boca, delicioso ao paladar. Uma canção –a preferida da mamãe, diz Amanda, a segunda filha, a Patrícia- faz-se ouvir em alguns momentos chaves. Conhecia a melodia, mas não acertava com quem fosse o cantor.

     Voltei a assistir de novo, agora em sessão conjunta com a minha equipe de trabalho, num agradável sarau mensal que denominamos “grandes momentos do cinema”. O decidir quais são os tais momentos do cinema que merecem esse espaço é tarefa que me foi confiada, e buscando agradar a todos, costumo selecionar filmes que já tenho visto, pensado, e refletido sobre eles. Nesta ocasião, a escolha guiou-se pelo simples gosto e por interesse: agradou-me, não tinha parado para pensar o porquê gostei, precisava de uma reflexão aconchegada das emoções de outros. Há filmes que somente se captam quando projetados em cenários propícios; a ressonância afetiva da plateia amiga modula o impacto do filme sobre nós mesmos. Talvez essa seja a razão de por que os chamados cine-fórum são educativos. Mais do que no que se comenta, o aprendizado está no sentir em conjunto, perspectiva nem sempre fácil de verter em palavras, as razões do coração –no dizer de Pascal- que a razão nem sempre entende.

Nova sessão, pois, para saborear um filme que já tinha visto. Um colega, amante da música, mostrou-me um aplicativo do celular, que identificava músicas e intérpretes. Desta vez, nas cenas em que se escutava a sugestiva melodia, fiz rodar o aplicativo, e lá apareceu: “Core n’grato, cantado por Enrico Caruso”. Muito bem escolhida, pois fala do amor, daquele que eu te doei, e não tive de volta, da ingratidão que decanta em palavras amargas e ignora a minha dor. Um coração ingrato, que falha na sintonia do amor.

     O sarau cinematográfico foi um grande sucesso. Ao levantar a sessão, pareceu-me ver junto com algum lenço que se guardava discretamente, certa movimentação em busca de cópias do filme. Não vejo nisto motivo de escândalo: postos a conviver com o tráfico, melhor do que drogas ou armas, são os valores e historias de vida que impulsam o ser humano a ser melhor. Pode ser esse o caminho, e não outro, para combater o mal, e a miséria. O romantismo de sempre, aquele que nunca morre, como dizia Fellini. Degradamo-nos e caímos nas garras do mal quando perdemos a capacidade de amar, de sonhar enquanto amamos. Lembro, enquanto escrevo, daquela toada mexicana, inundada de tequila e de lamúrias, que falava de outro coração ingrato, e profetizava ao protagonista da infidelidade que lembraria “do amor bonito que tinhas comigo, e de como sentirás minha falta no abraço de outro, e não conseguiras beber tuas próprias lágrimas”. Mas aqui tudo é mais comedido, mais francês. Isso sim, com o toque de Caruso acusando o desamor de Catarina.

Pascal é a integridade, enérgica e contundente, uma severidade que raia a incompreensão. Um contraponto necessário para a frivolidade de Jacques, ou para a irresponsabilidade da sua família. Patrícia está no meio do fogo cruzado, Amanda é um oásis de serenidade e de boa vontade, e Felipe é o campeão da generosidade, do amor, do desprendimento. Uma personagem que da vida à verdadeira dimensão do amor que se traduz em completo esquecimento próprio.

     Atores de imensa categoria dão total credibilidade às personagens. Virtudes e defeitos, grandezas e misérias, surgem em carácter puro, quase de fábula. Agravos, vinganças e perdão, compõem-se como atitudes que destroçam o constroem este difícil convívio que os humanos, animais sócias, temos de enfrentar. E, como telão de fundo para as reflexões que aqui anoto, vem a calhar alguns pensamentos que chegaram ao meu e-mail nestes dias, que estreamos um novo Papa: Francisco, o nome do Santo de Assis, o reformador do desprendimento e do amor.

O documento em questão se chamava “Assim pensa o Papa Francisco” e recolhia alguns pronunciamentos do até agora Cardeal Bergoglio, no seu exercício de Arcebispo de Buenos Aires. Advertia sobre essa doença epidémica do individualismo, que produz vidas inseguras e frágeis que se defendem com uma blindagem que as torna impermeáveis às riquezas da vida e do amor dos outros. E ilustrava o pensamento com a figura das portas que se fecham aos pedidos alheios. “A porta fechada é um verdadeiro símbolo nos dias de hoje. Mais do que um dado sociológico, é uma realidade existencial que define um estilo de vida, um modo de encarar a realidade, os outros, o futuro. A porta fechada da minha casa, que é o lugar da minha intimidade, dos meus sonhos, esperanças e sofrimentos, e das minhas alegrias; essa porta está fechada para os outros. Não apenas a minha casa material, mas o meu coração”.

     Em verdade, não é uma metáfora filosófica que interpreta as tendências da sociedade. É a realidade nua e crua, porque o sistema social é cada um de nós. É o fato de fugir do convívio alheio e torcer para não encontrar com o vizinho no elevador porque vai ver que chega com problemas e me complica a vida, logo agora que estou cansado e a fim de relaxar. Não é apenas o condomínio de segurança máxima –em alguns somente falta o fosso de jacarés- mas a própria intimidade, a blindagem do meu mundo, que não tem tempo para dedicar aos outros. Lembrei-me do comentário de um amigo quando afirmava em certa ocasião que hoje, esmola boa, é dar tempo próprio, que é sempre a vista, sem cartão de crédito nem parcelamentos. “Como é desprezível–continuo citando o Cardeal Jorge Bergoglio- quem guarda tesouros para si mesmo, num coração egoísta, que somente pensa em engrossar um capital que não vai levar-se ao morrer. Ninguém leva nunca nada. Eu nunca vi um caminhão de mudanças acompanhando um carro de funerária. Minha avó dizia que mortalha não tem bolsos”.

A sabedoria da avó do Papa encaixa perfeitamente com a candura dos personagens do filme. Alguns, como Felipe, transpiram uma bondade contagiosa. Outros sabem retificar seus erros, com dignidade. E todos vão descobrindo a aventura do perdão, da compreensão; a alegria de abrir o coração, livre de blindagens, ao serviço dos seus semelhantes. Um filme para assistir em família, desfrutar, aprender, e refletir. Certamente, no final, a canção de Caruso, Core n’grato, pedirá um bis.

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