Sabesp vai gastar R$ 4,5 milhões por indução de chuvas no Cantareira

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) vai gastar R$ 4,47 milhões para bombardear nuvens e induzir chuvas no Sistema Cantareira, cujo volume de água continua caindo e estava com apenas 19,4% da capacidade nesta terça-feira, 11, o menor nível da história.

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O negócio com a ModClima foi fechado em janeiro com prazo até dezembro de 2015, o que indica uma preocupação da Sabesp com a duração da estiagem no Cantareira. O contrato anterior, de julho de 2009, tinha prazo de um ano e valor de R$ 1,2 milhão.

Ambos foram fechados sem licitação porque a empresa é a única do País que faz o bombardeamento sem uso de produtos químicos. A tecnologia permite a aceleração da precipitação de chuvas em um processo conhecido como semeadura de nuvens, no qual um avião solta gotículas de água na base das nuvens.

A Sabesp informou que até sexta-feira passada, a ModClima havia feito cinco voos na bacia hidrográfica das represas do Sistema Cantareira na região de Bragança Paulista que resultaram em duas precipitações, mas sem quantidade suficiente para contribuir com a elevação do nível de água do manancial.

De acordo com a medição da própria Sabesp, nos 11 primeiros dias de fevereiro, choveu apenas 2,1 milímetros no Sistema Cantareira – a média histórica do mês é de 202,6 milímetros. Em janeiro, o volume de chuva acumulado foi de 87,8 milímetros, diante de média histórica de 259,9 milímetros.

A Sabesp anunciou nesta segunda-feira, 10, que, após uma semana de incentivo à redução do consumo de água na Grande São Paulo, foi possível economizar 500 litros / segundo.

Mesmo se todo mundo passasse a consumir o proposto pela Sabesp, que são 128 litros, essa economia atual equivaleria ao abastecimento de 337.500 pessoas.

“O que esse é dado mostra é que o efeito do bônus é infinitamente menor do que precisaria ser”, comenta Helio Mattar, do Instituto Akatu, que faz campanhas para o consumo consciente.

Segundo ele, a adoção do bônus é insuficiente quando se considera que boa parte da população da Região Metropolitana de São Paulo vive em prédios que não têm medição individualizada de consumo. Com isso não dá para saber quem gasta mais ou menos, o que acaba não incentivando a adesão.

Ele também critica a política proposta pelo governador Geraldo Alckmin de que o momento é para investir em campanhas educativas para evitar o desperdício dos recursos hídricos. “Incentivo de consciência é fundamental, mas é a longo prazo. Agora não dá para pensar que educação vai resolver um problema urgente. É hora de racionar.

O especialista em Recursos Hídricos da Escola Politécnica da USP Rubem Porto concorda que o momento é muito crítico para se confiar somente no bônus aos moradores. “É hora de lançar mão de todos os recursos que existem para adiar o mais possível um colapso do sistema”, diz. “A gravidade da situação merece um pouco mais de agressividade, quem sabe colocar multas de quem gastou mais.”

Ele defende também a adoção de ao menos rodízio de água o quanto antes. “A cada dia as notícias são mais graves, mas decidiram esperar até o dia 17 (quando há previsões de chuvas). Eu não raciocinaria assim, mas firmaram isso como se fosse um édito divino. Só tenho medo que chova (e desistam do racionamento). Porque por mais que chova, fevereiro já está perdido.”

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